Agenda - Estão abertas as inscrições para os cursos de Formação Continuada para professores da rede pública e particular oferecidos pela Escola Estilo de Aprender, situada na Lapa, zona Oeste da capital. Os cursos terão carga horária de oito horas, e serão ministrados por diretores e educadores da Escola. De acordo com a escola, a inscrição para os cursos é gratuita.
Confira a programação e as informações divulgadas pela escola:
Início 15/03: “Por um pensamento artístico em educação” – Alunos/educadores desenvolverão atividades que envolvem pintura, desenho, cerâmica, construções, recortes e colagens e saberão como introduzir o ensino de Artes nos currículos educacionais.
Professora: Ana Paula Martinho de Lima
Apenas este curso terá uma taxa de material de R$ 30
Quintas-feiras, das 8h às 9h. 15 vagas.
Início 16/03: “Habitantes da escola - por um pensar mais leve em educação” - O curso discute a produção de discursos educacionais a partir de outros territórios de pensamento. Avaliação, planejamento, rotina, estudante e professor são algumas das imagens desconstruídas ao longo desse percurso. Por meio de textos e filmes, personagens e habitantes da escola serão deslocados para um campo de pensamento mais leve e descolado da representação imposta pela seriedade docente.
Professor: Marcelo Cunha Bueno
Sextas-feiras, das 7h às 8h. 30 vagas.
Início 22/03: “Alfabetização para além das letras...” - O curso amplia as discussões sobre a aquisição da leitura e da escrita. Durante os encontros, o pensamento construtivista será problematizado. O objetivo do curso é ir além das diferenças entre o construtivismo e o método fônico, produzindo nos professores uma outra relação com o ensino das letras.
Professora: Andréa Pires Magnanelli
Quintas-feiras, das 8h às 9h. 30 vagas.
Para se inscrever ou obter mais informações entre em contato com a escola pelo telefone (11) 3644.7958/ 3836.3292 ou à Rua Pio XI, 678 – Lapa.
Publicado por renata em
28 de fevereiro de 2007
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Yahoo! e CDI* - no centro com a placa, Guilherme Ribenboim, presidente do Yahoo!. (Crédito: Divulgação)
Notícia - O Yahoo! Brasil doou semana passada ao CDI dez escolas de informática e cidadania para comunidades onde atua o Comitê. A ação representa o final da campanha que a empresa promoveu junto aos internautas no Yahoo! Respostas. A entrega ao Comitê para Democratização da Informática (CDI) foi feita na Escola de Informática e Cidadania Provisão, no Capão Redondo em São Paulo.
* Equipes Yahoo! e CDI – esquerda para direita – Luiz Marcelo Costa (Gerente do Yahoo! Respostas), Fabio Boucinhas (gerente de buscas do Yahoo! na América do Sul), Guilherme Ribenboim (presidente do Yahoo! na América do Sul), Glades A. Oliveira (Coordenadora da EIC Provisão), Suelen Faria (Gestora – CDI SP), Rodrigo Alvarez, (Coordenador do CDI-SP, Fernando Pinheiro (gerente de produtos do Yahoo!). Na frente, à esquerda da foto: integrantes da equipe do CDI Neuza Árbocz e Claudia A. Ferreira.

No sentido horário Guilherme Ribenboim (presidente do Yahoo!), Fabio Boucinhas (gerente de buscas), Rodrigo Alvarez, (Coordenador do CDI-SP) e Glades A. Oliveira (Coordenadora da EIC Provisão). (Crédito: Divulgação)
A campanha no Yahoo! Respostas ocorreu entre os dias 21 de novembro e 15 de dezembro. Nesse período, os internautas colaboraram com respostas a perguntas feitas por outros usuários. "A cada 2.000 melhores respostas dos participantes da promoção, o CDI recebeu a doação de recursos para uma Escola de Informática e Cidadania”, explicou Fabio Boucinhas, gerente de buscas do Yahoo! na América do Sul.

De camisa amarela, Fernando Pinheiro (diretor de produtos Yahoo!) fala aos alunos da EIC-Provisão do CDI. (Crédito: Divulgação)
Na entrega dos centros estiveram presentes o presidente do Yahoo! na América do Sul, Guilherme Ribenboim e representantes do CDI em São Paulo.

Equipe Yahoo! com usuários da EIC do CDI. Ao lado de Guilherme Ribenboim, de blusa preta, Luiz Marcelo Costa (Gerente do Yahoo! Respostas). (Crédito: Divulgação)
O Comitê para Democratização da Informática é uma organização não-governamental sem fins lucrativos que, desde 1995, desenvolve o trabalho pioneiro de promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção e o exercício da cidadania. Por meio de suas Escolas de Informática e Cidadania, criadas principalmente em parceria com organizações comunitárias, o CDI implementa programas educacionais no Brasil e no exterior, com o objetivo de mobilizar os segmentos excluídos da sociedade.
Publicado por renata em
7 de fevereiro de 2007
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O desenvolvedor Bruno Favaretto detalha o funcionamento do OLPC. (Crédito: Arquivo Pessoal).
Notícia - Muito se tem lido sobre o projeto OLPC (One Laptop per Child), criado por Nicholas Negroponte, professor do MIT (Massachussets Institute of Technology). Além de uma iniciativa para levar computadores de baixo custo para crianças, o projeto une entusiastas de todo o mundo interessados em seu desenvolvimento. Eles se reúnem no site do projeto e em listas de discussão. Desenvolvedor multimídia e entusiasta do projeto OLPC, nosso articulista convidado Bruno Favaretto explica um pouco melhor o projeto. Aproveite para comentar o artigo e tirar suas dúvidas ou envie seu próprio artigo para o Yahoo! Busca Educação através do nosso canal Participe.
Um laptop por criança
Quando ouvi falar no OLPC pela primeira vez, há cerca de um ano e meio, fiquei bastante interessado, especialmente por ser um projeto voltado à educação, e não à venda de laptops. A partir de então procurei me informar cada vez mais, mas percebi que infelizmente boa parte da mídia brasileira não trata o assunto a fundo. Na verdade, chega certas vezes a tratar o projeto com desdém, falando apenas do custo dos laptops (se US$ 100 ou 150) e ignorando completamente sua vocação de ferramenta educativa. Por isso, achei importante compartilhar com vocês minhas impressões e descobertas a respeito desse projeto.
Em primeiro lugar, acho necessário esclarecer alguns termos e conceitos em relação a esse projeto. A idéia de se criar um laptop de baixo custo para ser utilizado como ferramenta educativa surgiu no Media Lab do MIT no início de 2005. Foi então criada uma associação sem fins lucrativos, independente do MIT, para dar andamento ao projeto que, assim como a associação, leva o nome de OLPC - One Laptop per Child, ou Um Laptop por Criança. O laptop em si, cujos primeiros protótipos já foram fabricados, foi batizado de XO. Não se trata propriamente de um computador "popular" como o "PC Conectado" do governo brasileiro. A diferença é que o laptop não foi pensado para ser vendido no mercado, e sim para ser integralmente subsidiado por governos de países em desenvolvimento e distribuído gratuitamente aos alunos da rede pública de ensino de cada país.
A relação entre ensino-aprendizagem e um laptop popular
A concepção de educação que norteia o OLPC parte das idéias de Seymour Papert, educador, membro do projeto, professor do Media Lab do MIT e uns dos criadores da linguagem Logo . Papert é considerado referência na discussão sobre o uso da computação e da robótica como ferramentas educativas. Ele cunhou o conceito de "construcionismo" como um desdobramento do construtivismo de Piaget, cuja base é a percepção do aluno como sujeito ativo, construtor do próprio conhecimento. Para Papert, quanto mais a criança estiver engajada em construir algo palpável e que possa ser compartilhado com os outros - como um castelo de areia, uma máquina ou um livro -, melhor será o processo de construção dos conceitos. Ele propõe um ciclo de aprendizagem que parte das experiências externas, passa pela internalização dessas experiências e "prepara o terreno" para as experiências externas futuras. Papert enfatiza nesse processo a importância dos objetos concretos, da interação com o mundo exterior. Para ele, tais elementos são fundamentais e devem estar sempre presentes em qualquer processo de aprendizagem, não importando a capacidade que o sujeito desse processo tenha ou não de lidar com as abstrações.
Característica do laptop para sala de aula
O XO é um laptop para crianças, com fins educativos e voltado para uso em países em desenvolvimento, e foi inteiramente projetado com esses três fatores em vista. Ele é pequeno (bem menor que um laptop tradicional) e leve (pesa cerca de 1,5kg). O teclado tem teclas um pouco menores do que o comum e é totalmente emborrachado, para que eventuais derramamentos de líqüidos, comida etc. não danifiquem o equipamento. Também é bastante resistente a choques. A tela tem apenas 7 polegadas, pois algo maior seria caro demais para os propósitos do projeto. Em compensação, conta com uma resolução bem mais alta do que as telas da maioria dos laptops vendidos no mercado. Todos os componentes foram projetados para consumir o mínimo possível de energia, dando ao XO uma autonomia incrível: a criança pode ir para a escola de manhã e utilizar o laptop o dia todo sem precisar recarregá-lo. Com ajuda de acessórios como manivelas e pedais, será possível ainda carregá-lo manualmente, o que possibilita seu uso em regiões que não têm fornecimento de energia elétrica. Também para economizar energia e baixar o custo do equipamento, não há disco rígido nem leitor de CD ou DVD. Caso necessário, esses componentes podem ser conectados nas portas USB do laptop.
Seu formato, os detalhes na cor verde e as duas antenas retráteis da rede sem fio tornam o XO visualmente inconfundível. Além de dar ao laptop uma aparência infantil, essas características também foram pensadas para dificultar a criação de um mercado negro de laptops. Se alguém tentar vender um XO, o possível comprador poderá identificar imediatamente que se trata de mercadoria ilegal, provavelmente roubada, já que esses laptops não foram feitos para serem vendidos.
Em termos de hardware, o XO possui diversas ferramentas, como câmera fotográfica, microfone e alto-falantes integrados, uma tela que gira, a possibilidade de ser utilizado como livro eletrônico (e-book), e alguns controles sensíveis ao toque. De todas as ferramentas, a mais interessante é sem dúvida a chamada rede "mesh", um tipo de rede em que os computadores se comunicam entre si sem ter de passar por um servidor central. Cada laptop reconhece quando há outros iguais a sua volta, e exibe essa informação para a criança, que pode imediatamente se comunicar com as outras e realizar atividades conjuntas. Além disso, esse tipo de rede permite que uma única conexão de banda larga com a internet seja compartilhada por um grande número de usuários, pois a informação vai passando de laptop para laptop, reduzindo a necessidade de instalação de outros equipamentos, como access points, repetidores de sinal, antenas etc.
Em termos de software, o laptop também não é nada convencional. Ele não é voltado a "aplicativos", e sim a "atividades". O objetivo de uma atividade não é criar e manipular "documentos", mas permitir que a criança se expresse e compartilhe sua criação com as outras. Há atividades estão sendo desenvolvidas por educadores e programadores por todo o mundo, e a maioria delas, seguindo as diretrizes do projeto, procura ao máximo utilizar os recursos da rede mesh. Já existem atividades prontas voltadas ao desenho, à escrita, à composição musical e à navegação na internet, entre outras, e são todas colaborativas. Existe também um projeto chamado OLPCities. É um jogo educativo no qual a criança é representada por um personagem (ou avatar) e pode caminhar por espaços virtuais, encontrando diversas atividades pelo caminho. Já é possível ver como esse jogo funciona, é so visitar a ALPHACity Brasil.
Uso por professores, alunos e familiares
Espera-se, é claro, que os professores estejam em sintonia com a concepção de educação em que o projeto se baseia. Nesse caso, a adoção da nova ferramenta certamente trará mudanças à dinâmica de sala de aula, mas não deverá haver um grande impacto na essência do trabalho do professor. Sua função seguirá sendo a mesma: mediar, ajudar os alunos a aprender, a aprender fazendo e a aprender a aprender, e não impor a eles o seu próprio conhecimento. O professor deve estar disposto a aprender com seus alunos e a deixar que os alunos também aprendam uns com os outros. O laptop ainda deverá servir como ferramenta para que os professores se comuniquem mais entre si. Isso pode gerar novas possibilidades em seu trabalho. Por exemplo: será possível que professores de escolas diferentes, ou mesmo de países diferentes, unam seus alunos via internet em atividades conjuntas. O uso da tecnologia permitirá, por exemplo, que duas salas de aula em escolas diferentes, até mesmo em países diferentes, realizem atividades conjuntas, em rede, com auxílio do laptop.
O projeto fornece algumas diretrizes para quem quiser construir software - as "atividades" - para o laptop. São diretrizes relativamente genéricas, como procurar manter a atividade simples e aproveitar ao máximo as possibilidades oferecidas pela rede mesh. As atividades poderão ser obtidas no Wiki do projeto, e já há inclusive três atividades desenvolvidas aqui no Brasil, pelo Laboratório de Sistemas Integrados da Escola Politécnica da USP. No Wiki há também espaço para discussão de idéias pedagógicas e um repositório de conteúdos livres, que poderá ser acessado pelos estudantes e professores usuários do laptop. Atualmente, a quantidade de material disponível nesses espaços ainda é tímida, mas o volume de conteúdos, roteiros de trabalho e atividades deverá crescer quando os laptops estiverem de fato presentes nas salas de aula. Esse crescimento deve ocorrer de maneira orgânica, a partir da participação espontânea de educadores, desenvolvedores de software e outros interessados, de maneira semelhante à do crescimento de sites como a Wikipedia.
Está sim previsto o uso do laptop pela família do aluno. O estudante que chegar em casa com um laptop será um facilitador do acesso dos familiares a informações e serviços disponíveis na internet, como a declaração online de Imposto de Renda e outros serviços de governo eletrônico, por exemplo. O estudante com um laptop será um agente de inclusão digital daqueles que o cercam, e esse é um dos pilares da idéia de que cada aluno possua seu próprio equipamento. Outro ponto a favor dessa idéia é o fato, observado em projetos similares, de que o aluno em geral toma mais cuidado com aquilo que lhe pertence do que com o que é compartilhado - como por exemplo os computadores do laboratório da escola. Espera-se, inclusive, que alguns alunos aprendam a fazer reparos nos laptops, ajudando e capacitando seus próprios colegas a fazer o mesmo.
A receptividade e as escolhas de mercado do OLPC
O projeto necessita do comprometimento de 5 países para iniciar a produção em larga escala do laptop. Até agora, 4 países já se comprometeram a participar: Brasil, Líbia, Uruguai e Ruanda. O Brasil foi o primeiro a firmar o compromisso, e já recebeu um lote de laptops para testes, que estão sendo coordenados pela Escola Politécnica da USP. Nosso governo se mostrou bastante receptivo ao projeto, embora estude a possibilidade de também distribuir outros modelos de laptop (como o Classmate, da Intel) a parte dos alunos. Outros governos, como o da Argentina, ainda estão em negociação com o projeto. Espanha e Índia decidiram não participar.
É importante notar que o OLPC utiliza Linux, e não o Windows, dono da maior fatia do mercado de sistemas operacionais. A diferença essencial é que o Linux é um sistema livre, aberto, enquanto o Windows é um sistema proprietário. Isso significa que o código fonte dos sistemas Linux está disponível para que qualquer pessoa tecnicamente capacitada possa vê-lo e modificá-lo. Em sistemas proprietários como o Windows, apenas o fabricante (no caso, a Microsoft) pode ver e alterar esse código, e portanto qualquer modificação necessária (ou desejada) depende desse fabricante. Além disso, a maioria dos softwares livres é gratuita, como é o caso do Linux que está sendo testado no XO. Assim é possível reduzir o custo do laptop, já que não é necessário comprar a licença de um sistema operacional. Por cima do Linux do XO há uma interface gráfica chamada Sugar. Essa interface foi pensada especificamente para este projeto, e para que ele atinja seu principal fim, que é contribuir com o processo de ensino-aprendizagem. É possível instalar outros sistemas no laptop (até mesmo Windows), mas que eu saiba nenhuma empresa apresentou ainda um sistema pensado para as necessidades desse projeto.
Por Bruno Favaretto, graduado em Letras/USP e desenvolvedor multimídia na Base7 Projetos Culturais. Participou de projetos, como a criação de aplicativos e instalações multimídia para uma exposição permanente recém-reformada no Museu do Ipiranga, em São Paulo.
Colaborou Flávia Aidar
Publicado por renata em
5 de fevereiro de 2007
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