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« Saber 2006 previsto para setembro em SP | Home | Rio sedia Conferência Mundial de EAD » Educação interativa não depende só de tecnologia, diz educador
Você costuma afirmar que o professor deve ser o propopositor de territórios a serem explorados pelo aluno em sua pesquisa. Como seria uma didática seguindo esta linha? A frase está centrada numa crítica a um modelo de professor tradicional, baseado na oratória, na transmissão. No "Sala de Aula Interativa" coloco a questão de que o professor está ligado a um modelo de transmissão de conhecimento parecido com o da TV. Pensa em apenas irradiar, transmitir pacotes de conhecimento. Proponho que altere esse modelo ou adicione uma outra dimensão onde estimule o aluno a um trabalho de colaboração, co-criação do conhecimento. O professor deve oferecer um leque de percursos possíveis. Um webdesigner sempre pensa em percursos possíveis para o usuário e isso significa que hoje o usuário pode desenvolver sua própria autoria nesse conjunto de percursos oferecidos. Um professor que fala de escravidão, por exemplo, em vez de um discurso livresco, pode apresentar modos de tratar a questão. Pode indicar um livro, uma peça ou um webquest. Estará, assim, propondo percursos e o aluno se envolve e o trabalho colaborativo é mais rico. Sua obra pode ser interpretada como uma maneira de sugerir do uso da internet em sala de aula, numa concepção não tecnicista, mas pedagógica. Explique um pouco o que seria essa postura. A tecnologia digital pode ajudar o trabalho colaborativo. Sem as tecnologias digitais, o professor precisaria reunir uma imensidão de outros objetos para conseguir o mesmo efeito, como cartolina, TV, rádio etc. No computador, o hipertexto dá uma mobilidade cognitiva muito grande. Se o professor utiliza o computador online e coloca os alunos em rede, facilita o seu trabalho. Ao mesmo tempo, enriquece as capacidades do hipertexto. Encoraja a relação todos-todos e não a um-todos. Não sou realmente tecnicista. Acho que interatividade não é um conceito de informática. Interatividade se pode fazer até debaixo de uma árvore, é um conceito de comunicação e não de informática. O trabalho escolar valendo-se das novas tecnologias é cotidiano ou trabalha-se por projetos temáticos especiais? É possível fazer um trabalho com tecnologia educacional em qualquer disciplina? É um erro gravíssimo ver o computador como algo fora do cotidiano da aprendizagem, como um apêndice. É um modelo fordista que vê a educação como algo compartimentado. O ideal, e isso é complicado no país especialmente na escola com menos recursos, seria colocar pelo menos um computador em cada sala de aula. Mas é possível ainda, no laboratório de informática, estimular cada professor a ocupar esse espaço para sua disciplina se ele está preparado para a informática educativa. Qualquer disciplina pode ser trabalhada com a ajuda do computador. Mesmo que os recursos sejam restritos, o professor pode fazer um excelente trabalho, ajudar o aluno a se engajar nessa máquina. O aluno pode já ser bastante familiarizado com o computador. Por isso, ao professor cabe se preparar para mostrar como articular conteúdos, produzir textos, utilizar multimídia etc. Assim, o professor pode ajudar o aluno a fazer algo muito importante: articular informações para construir conhecimento, algo essencial na era da informação. Quais seus próximos planos para 2006? Por último fiz o lançamento do "Avaliação da Aprendizagem em Educação Online" (Ed. Loyola), uma coletânea de artigos de 72 autores sobre educação. O "Educação Online" (Ed. Loyola), lançado em 2003, chega à sua 2a edição este ano. Já o "Sala de Aula Interativa" (Ed. Quartet), terá sua 4a edição lançada também este ano. Este livro está na lista de leitura para o concurso de professores de São Paulo. O Senac/SP promove em 24/8, a mesa redonda "Avaliação da aprendizagem em educação online", da qual serei mediador. O evento discutirá com profissionais do setor pedagógico a presença, cada vez mais freqüente, das modalidades de ensino a distância na educação brasileira. Publicado por renata em 2 de agosto de 2006
Comentários Prezado professor Marcos Silva, Publicado por Armando Alvares em 3 de agosto de 2006 Parabéns a Yahoo! e ao professor pela entrevista e abordagem de um tópico tão relevante para a educação. Publicado por Paulo Borsatto em 3 de agosto de 2006 Gostei muito da entrevista! Publicado por Luciana Silva em 3 de agosto de 2006 Concordo com o educador ,Marcos Silva,quando ele diz que,Educação interativa não depende só de tecnologia,pois interatividade é comunicação e esta, por sua vez, se tem até debaixo de uma árvore.Acredito na força do professor que se propõe viajar nesse universo de inúmeras possibilidades,onde ele começa a incorporar em sua prática a idéia de que se educa aprendendo. Publicado por Maria Cristina em 4 de agosto de 2006 Professor Marco, Publicado por Paulo Henrique em 4 de agosto de 2006 Muito legal a reportagem por tratar de um tema muito importante para a construção de um modelo pedagógico que "fuja" dos ditames tradicionais. Publicado por Jacineide Arão dos Santos em 4 de agosto de 2006 Noto que em suas três respostas há uma contradição sobre o uso do computador. Ora ele e dispensável, ora indispensável como nesta terceira resposta. Maria Bressanieux Publicado por Maria em 6 de agosto de 2006
Publicado por Marco Silva em 7 de agosto de 2006 Olá Prof. Dr. Paulo Henrique Almeida Costumo dizer para meus alunos que o professor pode fazer sua sala de aula interativa até em baixo de uma árvore. Digo isto para deixar claro que a docência interativa independe da presença do computador. Interatividade não é um conceito de informática. É o engajamento da emissão e da recepção na produção colaborativa da mensagem ou da própria comunicação. O computador online pode potencializar a aprendizagem interativa, mas esta independe dele. A propósito, aproveito para enfatizar que a utilização interativa do computador online na educação contará sempre com a formação continuada do professor antenada com a cibercultura e com a sociedade do conhecimento.
Publicado por Marco Silva em 7 de agosto de 2006 Ok Maria Bressanieux. Eu não disse que o computador é dispensável ou indispensável. O que disse foi: a docência interativa independe da presença do computador online na sala de aula presencial. Quanto ao modelo fordista, convido-a a ler sobre esse importante conceito. Sua imagem mais famosa está no filme Tempos modernos de Chaplin, na cena da esteira rolante de uma fábrica onde cada funcionário em movimentos repetitivos em seu compartimento realiza uma parte de um mesmo produto. Eu não disse que a ausência de computador representa um modelo fordista. [Repito o que eu disse: É um erro gravíssimo ver o computador como algo fora do cotidiano da aprendizagem, como um apêndice. É um modelo fordista que vê a educação como algo compartimentado.]Ou seja, é um erro deixar o computador num laboratório alheio ao trabalho do docente e do aprendiz. Quase sempre o computador está no laboratório de informática, fora da sala de aula cotidiana dos alunos. O computador deve estar disponível para a construção da aprendizagem e não como um compartimento na chamada grade curricular para visitas semanais ao chamado laboratório de informática. Publicado por Marco Silva em 7 de agosto de 2006 Olá Marco! Parabéns pela entrevista e obrigada pelo leque de informações disponibilizado.
Publicado por Mariana em 7 de agosto de 2006 Olá, Professsor Concordo com suas considerações sobre a utilização do computador como algo anexo a sala de aula, seu uso deve estar diretamente ligado ao objetivo central do ensinar, que é criar espaços de aprendizagem onde o aluno busque e construa seu conhecimento. Publicado por Emiliana em 11 de agosto de 2006 Olá Professora Maria Emiliana Publicado por Marco Silva em 14 de agosto de 2006 Gostei muito da entrevista e da maneira como o prof. Marco Silva aborda a questão das novas tecnologias na educação. Achei extremamente oportuno quando referenciou a nova forma de construção do conhecimento e o papel do professor enquanto mediador do processo pedagógico. Concordo também com a sua afirmativa de que o professor deve propor percursos para que o aluno se desenvolva e seja autor do conhecimento, pois por meio desse processo é possível construir um trabalho colaborativo, "todos-todos"como disse Pierre Lévy, onde a autonomia também é a parte fundante. Publicado por Michelle Lages em 15 de agosto de 2006 Que o Yahoo! Busca Educação possa nos presentear com outras reportagens tão engrandecedoras e esclarecedoras como foi esta do Prof. Marco. Publicado por Robson Alves em 20 de agosto de 2006 Publique um comentário
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