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Educação interativa não depende só de tecnologia, diz educador

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Educador participará de debate em SP. (Crédito: Divulgação)
Entrevista - Marco Silva é um dos educadores de maior renome no Brasil na área de tecnologia educacional. Autor de vários livros, Marco concedeu essa entrevista exclusiva para o Yahoo! Busca Educação sobre os problemas essenciais do uso da tecnologia na educação para o professor. Saiba ainda os próximos planos do educador, que incluem um debate sobre a educação online a ocorrer dia 24/8 em São Paulo.

Você costuma afirmar que o professor deve ser o propopositor de territórios a serem explorados pelo aluno em sua pesquisa. Como seria uma didática seguindo esta linha?

A frase está centrada numa crítica a um modelo de professor tradicional, baseado na oratória, na transmissão. No "Sala de Aula Interativa" coloco a questão de que o professor está ligado a um modelo de transmissão de conhecimento parecido com o da TV. Pensa em apenas irradiar, transmitir pacotes de conhecimento. Proponho que altere esse modelo ou adicione uma outra dimensão onde estimule o aluno a um trabalho de colaboração, co-criação do conhecimento. O professor deve oferecer um leque de percursos possíveis. Um webdesigner sempre pensa em percursos possíveis para o usuário e isso significa que hoje o usuário pode desenvolver sua própria autoria nesse conjunto de percursos oferecidos. Um professor que fala de escravidão, por exemplo, em vez de um discurso livresco, pode apresentar modos de tratar a questão. Pode indicar um livro, uma peça ou um webquest. Estará, assim, propondo percursos e o aluno se envolve e o trabalho colaborativo é mais rico.

Sua obra pode ser interpretada como uma maneira de sugerir do uso da internet em sala de aula, numa concepção não tecnicista, mas pedagógica. Explique um pouco o que seria essa postura.

A tecnologia digital pode ajudar o trabalho colaborativo. Sem as tecnologias digitais, o professor precisaria reunir uma imensidão de outros objetos para conseguir o mesmo efeito, como cartolina, TV, rádio etc. No computador, o hipertexto dá uma mobilidade cognitiva muito grande. Se o professor utiliza o computador online e coloca os alunos em rede, facilita o seu trabalho. Ao mesmo tempo, enriquece as capacidades do hipertexto. Encoraja a relação todos-todos e não a um-todos. Não sou realmente tecnicista. Acho que interatividade não é um conceito de informática. Interatividade se pode fazer até debaixo de uma árvore, é um conceito de comunicação e não de informática.

O trabalho escolar valendo-se das novas tecnologias é cotidiano ou trabalha-se por projetos temáticos especiais? É possível fazer um trabalho com tecnologia educacional em qualquer disciplina?

É um erro gravíssimo ver o computador como algo fora do cotidiano da aprendizagem, como um apêndice. É um modelo fordista que vê a educação como algo compartimentado. O ideal, e isso é complicado no país especialmente na escola com menos recursos, seria colocar pelo menos um computador em cada sala de aula. Mas é possível ainda, no laboratório de informática, estimular cada professor a ocupar esse espaço para sua disciplina se ele está preparado para a informática educativa. Qualquer disciplina pode ser trabalhada com a ajuda do computador. Mesmo que os recursos sejam restritos, o professor pode fazer um excelente trabalho, ajudar o aluno a se engajar nessa máquina. O aluno pode já ser bastante familiarizado com o computador. Por isso, ao professor cabe se preparar para mostrar como articular conteúdos, produzir textos, utilizar multimídia etc. Assim, o professor pode ajudar o aluno a fazer algo muito importante: articular informações para construir conhecimento, algo essencial na era da informação.

Quais seus próximos planos para 2006?

Por último fiz o lançamento do "Avaliação da Aprendizagem em Educação Online" (Ed. Loyola), uma coletânea de artigos de 72 autores sobre educação. O "Educação Online" (Ed. Loyola), lançado em 2003, chega à sua 2a edição este ano. Já o "Sala de Aula Interativa" (Ed. Quartet), terá sua 4a edição lançada também este ano. Este livro está na lista de leitura para o concurso de professores de São Paulo.

O Senac/SP promove em 24/8, a mesa redonda "Avaliação da aprendizagem em educação online", da qual serei mediador. O evento discutirá com profissionais do setor pedagógico a presença, cada vez mais freqüente, das modalidades de ensino a distância na educação brasileira.

Publicado por renata em 2 de agosto de 2006



Comentários

Prezado professor Marcos Silva,
O que há de novo nisto que o senhor diz? Pois ao falar de escravidão, por exemplo, quantos professores - chamados pelo senhor de tradicionais – já não apresentam um livro, não indicam um filme ou até mesmo encaminham estudos de campo? E, mais recentemente, sites na Internet? Esses já não seriam tradicionalmente percursos possíveis mas que só podem ser oferecidos de acordo com a realidade que cada professor e seus alunos dispõem?
Sinceramente, não entendi a novidade.
Armando

Publicado por Armando Alvares em 3 de agosto de 2006


Parabéns a Yahoo! e ao professor pela entrevista e abordagem de um tópico tão relevante para a educação.

Publicado por Paulo Borsatto em 3 de agosto de 2006


Gostei muito da entrevista!
Da forma que Marco Silva aborda a questão da interatividade é sempre muito mais fácil de compreender.
Abraços,
Luciana Silva

Publicado por Luciana Silva em 3 de agosto de 2006


Concordo com o educador ,Marcos Silva,quando ele diz que,Educação interativa não depende só de tecnologia,pois interatividade é comunicação e esta, por sua vez, se tem até debaixo de uma árvore.Acredito na força do professor que se propõe viajar nesse universo de inúmeras possibilidades,onde ele começa a incorporar em sua prática a idéia de que se educa aprendendo.

Publicado por Maria Cristina em 4 de agosto de 2006


Professor Marco,
Parece óbvio que interatividade não seja um conceito de informática mas um conceito de cultura e de comunicação. Pois interação significa ação entre pessoas, basta olhar a própria palavra. Agora com quem posso interagir debaixo de uma árvore se estiver sozinho ali, sem nenhuma pessoa com quem me comunicar a não ser com as formigas?
Prof. Dr. Paulo Henrique Almeida

Publicado por Paulo Henrique em 4 de agosto de 2006


Muito legal a reportagem por tratar de um tema muito importante para a construção de um modelo pedagógico que "fuja" dos ditames tradicionais.
O conhecimento acerca das novas tecnologias da informação e comunicação permite que o professor desenvolva com os educandos um processo de ensino e aprendizagem realmente interativo. A partir deste conhecimento será possível superar muitos preconceitos acerca das NTICs. Assim estas passarão a ser encaradas como estruturantes do processo de ensino e aprendizagem e não apenas como ferramentas.
Valeu pela entrevista!
Bjos Jacineide

Publicado por Jacineide Arão dos Santos em 4 de agosto de 2006


Noto que em suas três respostas há uma contradição sobre o uso do computador. Ora ele e dispensável, ora indispensável como nesta terceira resposta.
E não compreendi a afirmação de que É um modelo fordista que vê a educação como algo compartimentado. O que é, neste caso, modelo fordista e por que ausência de computador representa um modelo fordista?

Maria Bressanieux

Publicado por Maria em 6 de agosto de 2006



Prezado Armando Álvares. Um abraço.
De fato, vc tem razão. A resposta que dei citando um professor de história revela pouco do que pretendia dizer na entrevista. Creio que a preocupação com o tempo resultou na resposta ligeira, ainda que a entrevistadora tenha me deixado a vontade. O que gostaria de ter dito é que na perspectiva da interatividade o professor pode deixar de ser um transmissor de saberes para converter-se em formulador de problemas, provocador de interrogações, coordenador de equipes de trabalho, sistematizador de experiências, e memória viva de uma educação que, em lugar de prender-se à transmissão, valoriza e possibilita o diálogo e a colaboração. Nesse sentido o professor constrói uma rede (não uma rota) e define um conjunto de territórios a explorar. Ele não oferece uma história a ouvir, mas um conjunto intrincado (labirinto) de territórios abertos à navegação e dispostos a interferências, a modificações. Ele oferece múltiplas informações (em imagens, sons, textos, etc.) sabendo que estas potencializam consideravelmente ações que resultam em conhecimento. Ele dispõe entrelaçados os fios da teia como múltiplos percursos para conexões e expressões com o que os alunos possam contar no ato de manipular as informações e percorrer percursos arquitetados. O professor estimula cada aluno a contribuir com novas informações e a criar e oferecer mais e melhores percursos, participando como co-autor do processo de comunicação e de aprendizagem. A propósito, cito o link para um texto onde esclareço melhor essa abordagem: http://www.senac.br/INFORMATIVO/BTS/293/boltec293c.htm
Meu email está disponibilizado aqui. Se for do seu interese, podemos conversar mais sobre nossos pontos de vista. Para mim será um prazer.

Publicado por Marco Silva em 7 de agosto de 2006


Olá Prof. Dr. Paulo Henrique Almeida

Costumo dizer para meus alunos que o professor pode fazer sua sala de aula interativa até em baixo de uma árvore. Digo isto para deixar claro que a docência interativa independe da presença do computador. Interatividade não é um conceito de informática. É o engajamento da emissão e da recepção na produção colaborativa da mensagem ou da própria comunicação. O computador online pode potencializar a aprendizagem interativa, mas esta independe dele. A propósito, aproveito para enfatizar que a utilização interativa do computador online na educação contará sempre com a formação continuada do professor antenada com a cibercultura e com a sociedade do conhecimento.


Publicado por Marco Silva em 7 de agosto de 2006


Ok Maria Bressanieux. Eu não disse que o computador é dispensável ou indispensável. O que disse foi: a docência interativa independe da presença do computador online na sala de aula presencial. Quanto ao modelo fordista, convido-a a ler sobre esse importante conceito. Sua imagem mais famosa está no filme Tempos modernos de Chaplin, na cena da esteira rolante de uma fábrica onde cada funcionário em movimentos repetitivos em seu compartimento realiza uma parte de um mesmo produto. Eu não disse que a ausência de computador representa um modelo fordista. [Repito o que eu disse: É um erro gravíssimo ver o computador como algo fora do cotidiano da aprendizagem, como um apêndice. É um modelo fordista que vê a educação como algo compartimentado.]Ou seja, é um erro deixar o computador num laboratório alheio ao trabalho do docente e do aprendiz. Quase sempre o computador está no laboratório de informática, fora da sala de aula cotidiana dos alunos. O computador deve estar disponível para a construção da aprendizagem e não como um compartimento na chamada grade curricular para visitas semanais ao chamado laboratório de informática.

Publicado por Marco Silva em 7 de agosto de 2006


Olá Marco!

Parabéns pela entrevista e obrigada pelo leque de informações disponibilizado.


Abraço. Mariana Haido.

Publicado por Mariana em 7 de agosto de 2006


Olá, Professsor

Concordo com suas considerações sobre a utilização do computador como algo anexo a sala de aula, seu uso deve estar diretamente ligado ao objetivo central do ensinar, que é criar espaços de aprendizagem onde o aluno busque e construa seu conhecimento.
Porém, discordo ao falar do uso do Laboratório de Informática, pois quando este tem um Professor Orientador, fazendo um trabalho paralelo com os professores e alunos, pensando em atividades e projetos que favoreçam o uso das novas tecnologias, a visita semanal é indispensável.
Penso que sua sugestão em disponibilzar um computador por sala de aula deve ser melhor avaliada, pois nossa realidade é de 40 alunos por sala.
Maria Emiliana Lima Penteado - Professora Orientadora de Informática Educativa

Publicado por Emiliana em 11 de agosto de 2006


Olá Professora Maria Emiliana
Quanto ao laboratório de informática, acredito que mesmo pilotado por um bom Professor Orientador estará alheio ao cotidiano das aulas e da aprendizagem. O ideal é ter o computador online como suporte capaz de potencializar a aprendizagem e o trabalho do professor. Por isso digo que mais vale um computador online funcionando bem no dia a dia de uma sala de aula com 40 alunos do que uma visita semanal ao laboratório com 40 computadores e com um bom Professor Orientador. Em suma, acredito que o computador deve ser trazido para junto da docência e da aprendizagem, assim como também deve estar presente no dia a dia das pessoas que vivem na sociedade da informação ou na cibercultura.

Publicado por Marco Silva em 14 de agosto de 2006


Gostei muito da entrevista e da maneira como o prof. Marco Silva aborda a questão das novas tecnologias na educação. Achei extremamente oportuno quando referenciou a nova forma de construção do conhecimento e o papel do professor enquanto mediador do processo pedagógico. Concordo também com a sua afirmativa de que o professor deve propor percursos para que o aluno se desenvolva e seja autor do conhecimento, pois por meio desse processo é possível construir um trabalho colaborativo, "todos-todos"como disse Pierre Lévy, onde a autonomia também é a parte fundante.

Publicado por Michelle Lages em 15 de agosto de 2006


Que o Yahoo! Busca Educação possa nos presentear com outras reportagens tão engrandecedoras e esclarecedoras como foi esta do Prof. Marco.
Abraços a todos.

Publicado por Robson Alves em 20 de agosto de 2006




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