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« Cibersalão acontece em Salvador | Home | Educar 2006 reúne interessados em novas tecnologias na Educação » A lição de casa e o professor
Dica - O professor Marcelo Cunha Bueno, diretor pedagógico da Escola Estilo de Aprender, enviou um artigo bastante reflexivo sobre as questões que estão envolvidas na sempre polêmica "lição de casa". O Yahoo! Busca Educação tem estado presente em muitas lições de casa pois é bastante comum que ali esteja envolvida a pesquisa em bibliotecas ou na internet. E você, o que acha da nova postura das escolas contemporâneas sobre a lição de casa? Leia o artigo de Marcelo e participe, contribuindo para o debate sobre esta questão. Lembre-se que você também pode enviar uma artigo sobre este ou quaisquer outros assuntos sobre educação e novas tecnologias. Isto pode ajudar a divulgar o seu trabalho e o de sua escola por meio do nosso canal Participe. "Lição de casa: Uma lição para a escola Muitas escolas e muitas famílias propõem um debate bastante pertinente e que ocupa uma grande parte da rotina escolar: a lição de casa. Lição de casa sempre foi um elemento de discórdia entre professores e estudantes e familiares e escola. Pesa sobre a lição de casa o estigma de roubar momentos livres de brincadeiras de meninos e meninas, de obrigar pais e mães a esforçarem-se no difícil intento da educação de seus filhos e de poupar a escola de ensinar conteúdos. Peço que façam um exercício para problematizar essa questão para além das lembranças e estigmas que a mesma carrega. Vamos pensar de uma outra forma, mais formativa. Quando me refiro à formação, não me limito somente a falar dos estudantes, mas de professores e de familiares ou parentes que realizam ou ajudam seus filhos a realizarem tais lições. Lição de casa é um instrumento fundamental para a escola e que, de forma alguma, deve deixar de existir na rotina diária dos estudantes. É preciso deixar claro alguns pontos importantes: lição de casa não é exercício de “recognição”, ou seja, de reconhecimento; não é cópia de livro didático, de internet, de enciclopédia; não é passatempo, não é um elemento que cria obstáculos para a felicidade do final de semana; não é obstrutor da infância; não é preguiça do professor e, muito menos, atividade compensatória, por falta de tempo ou castigo. Em oposição a essas características, aponto que o verdadeiro objetivo das lições de casa é a formação de um estudante. Entenda que esse vai além da escola, ou apesar dela. Estudante é aquele que associa, relaciona, produz, cria e experimenta o conhecimento de forma sensível. Aquele que, no teatro, lembra-se do livro; que, no livro, pensa no cinema; no cinema, pensa nos amigos... multiplica as suas perspectivas de aprendizagem. Lição de casa é um exercício de formação, de multiplicação de conhecimentos. Conhecimentos estão em todas as partes. Não somente em internet, em enciclopédias ou em dicionários. Estamos acostumados e nos sentimos seguros com as respostas exatas, prontas. Achamos que, ao escrevê-las, conseguimos captar a sua intenção e, ainda, colocar o nosso entendimento. Isso não é aprender! Engana-se aquele que acha que, apenas resumindo, produziu algo. Em casa, sem ajuda do professor, que não pode ser confundido com livros, meninos e meninas encontram-se diante de um grande desafio. Não é fácil encontrar as próprias palavras! Lição de casa tem de ser uma responsabilidade, primeiramente, do estudante. Ele deve se organizar e estabelecer quais os melhores horários e dias para fazê-la e entregar no dia combinado com o professor. Mas a responsabilidade também é dos pais e mães. Educar os filhos é muito mais do que ensinar bons modos, é também fazer parte da vida escolar deles, inclusive ensinando-os o que não aprenderam na escola. Portanto, familiares devem ajudar seus filhos a pesquisarem, a escreverem textos, a se organizarem em suas obrigações e a ampliarem seus repertórios para além do que foi pedido ou para além dos materiais utilizados. Professores devem entender que lição de casa é um exercício de formação, de estudo para eles também. Professor, quando planeja uma lição, deve pensar em provocações, desafios que vão além do que pode estar descrito em algum lugar. Devem estudar os conteúdos para traspassá-los. Lição de casa não pode ser a sua apresentação. Lição serve para sintetizar, ampliar as discussões pontuais sobre os conteúdos estudados em sala de aula. O professor deve se preocupar com esses objetivos ao passar lições. Seria impossível limitar o ensino somente à lição de casa. Garantir conteúdos é obrigação da escola. A escola acabou por assumir e se conformar com um papel limitador: só dizem respeito à escola coisas conversadas na mesma, durante a semana. Estudante leva a escola para onde vai, e traz a sua vida para a escola. Fim de semana é também para estudar, para pensar. Fugindo da visão de que a escola prepara para a vida, escolhas fazem parte da vida, e com escola não é diferente. Quando se escolhe assistir Big Brother ao invés de ler um livro, conversar no Orkut ao invés de ir ao cinema, estamos fazendo escolhas. Fazer lição aos sábados não é o fim do mundo quando há uma organização prévia, quando se encara isso como um dever e responsabilidade dos meninos e meninas. Vejam, as lições podem ficar mais ricas se ampliarmos a forma de registro ou síntese do conhecimento. Valoriza-se demasiadamente a escrita em detrimento de outras formas de expressão. Percebemos isso, durante a Educação Infantil, quando as crianças começam a escrever e seus professores permitem que deixem de lado a representação gráfica, ou seja, os desenhos. Às vezes, encantamo-nos com uma imagem, uma fotografia, um quadro, poesia ou música. Isso pode dizer mais do que um texto. O importante é comunicar e pensar no conhecimento. Talvez fosse um bom exercício para professores e familiares investirem nesse tipo de lição de casa, mais parafraseado! Permitindo essa multiplicidade de respostas, podemos ver e provocar um debate interessante a respeito das diferentes formas como estabelecemos relações com o que aprendemos. A lição acaba se tornando um recurso importante para avaliarmos com os estudantes as formas de representação. Na minha escola, a Estilo de Aprender, uma das professoras estudou com seu grupo de crianças com quatro anos algumas figuras da cultura popular brasileira (Boi Tatá, Negro d’água, etc). Como uma boa contadora de histórias, apresentava cada uma delas ao grupo. Acabou confeccionando, com seus estudantes, bonecos de pano. Ao construírem cada um deles, relembravam sua história e, ao final, todos sabiam perfeitamente as histórias incríveis de cada boneco. Sorteavam entre eles quem levaria o boneco para casa. Antes de levá-lo, a professora dava a seguinte instrução: “Passe para frente a sua história”. As crianças dormiam, liam, assistiam TV, comiam com ele, levavam-no a restaurantes e a parques. As famílias surpreendiam-se com as histórias! Quem vai dizer que isso não é lição de casa? Essas crianças, esses estudantes, começaram muito bem a relação com a lição de casa, até dormem com ela!" Por Marcelo Cunha Bueno, diretor pedagógico da Escola Estilo de Aprender Publicado por renata em 4 de maio de 2006
Comentários Marcelo e suas considerações que devem ser conhecidas pelo mundo! Publicado por Cláudia Freire "Lima" em 5 de maio de 2006 Marcelo, sou educadora e concordo plenamente com sua idéia, o que ocorre, é que a prática é bem diferente da teoria e a grande dificuldade que nós educadores encontramos, está em utilizar os recursos didáticos com cautela. Publicado por Giovana Souza em 6 de maio de 2006 Temo que as escolas e o sistema educacional brasileiro estejam muito aquém do que a criança e o jovem são capazes de produzir. À isso, atribuo o grande desinteresse do aluno, não só pelas tarefas escolares como também pela própria escola. Eles são auto-didatas e diletantes em várias áreas, fora da escola, mas as matérias escolares, arcaicamente repassadas não os motivam. A culpa não é deles, nem mesmo dos pais, possivelmente, os únicos que podem fazer algo a esse respeito são os educadores que poderiam encabeçar uma possível mudança, atualização do processo. Publicado por Constanza Botelho em 10 de maio de 2006 Marcelo, fiel parceiro da educação e de todos nós! Publicado por Beatriz Matarazzo em 11 de maio de 2006 Leio todos os textos e vejo todas as palestras do Professor Marcelo Bueno. Sou admiradora de seu trabalho de formação e de sua Escola. Concordo com a postura e o olhar do Professor quando refere-se à lição de casa. As crianças precisam de rotina de estudo, precisam de organização para poder desfrutar também de tempo livre. Publicado por Patrícia Mendes em 16 de maio de 2006 Sou totalmente leiga ao assundo, perto das leitoras acima. Vou falar pela minha experiência própria. Tenho um filho de sete anos, e para ele sempre foi muito prazeroso aprender. Aprender para ele não é um fardo e sim um estimulo, uma tarefa agradavel que faz parte de suas obrigações, lição de casa é muito importante na vida de um estudante não importa a idade dele, agora tem criança que cresce com os pais reclamando o tempo todo dizendo que lições são uma chatice que não tem tempo para perder com isto. Qual a criança que vai dar valor para um aprendizado com pais assim? Que lugar de aprender é so na escola. Publicado por Denise Resende em 21 de maio de 2006 Enquanto as famílias continuarem sem desempenhar seu verdadeiro papel realmente, todo e qualquer assunto inerente a vida escolar de seus filhos irão ser uma grande polemíca. A falta de valorização, advém sem dúvida alguma da inexistência dos pais ou responsáveis em assumirem com consciência e responsabilidade , a EDUCAÇÃO de suas crianças. Há muito,os pais ou responsáveis usam da máscara da sobrevivência e por conta disso delegam todos os seus deveres ao corpo docente e discente das Unidades Escolares , ainda exigindo das mesmas perfeições quanto: ao método de ensino, didática de trabalho, práticas educacionais, pedagogia escolar , qualificação profissional dos funcionários em geral, horários coerentes com os seus de trabalho, merenda específica, esportes adequado ao gosto do seu filho e suas necessidades,etc...etc... Escolas não são lares e nem instituições filântropicas.Ser pais não é fazer mais uma pessoa para outros educarem e ainda se fazerem de vítimas, alegando ter que trabalhar para sustentá-los.Os profissionais das escolas também tem seus filhos, trabalham para sustentá-los e não usam disso para deixar suas crianças à responsabilidade total de outros. Se os filhos fracassam na escola, com certeza os culpados são seus pais e famíliares e não professores e diretores. Atenção Brasileiros e Brasileiras! Filhos não são muletas na vida de ninguém, muito menos ponte social.Quem governa um País é seu povo e quem governa os filhos , são os pais!!! Enquanto não desempenharem suas responsabilidades de pais ou responsáveis na íntegra, não haverá escolas integralmente satisfatória, pois não há como as escolas assumirem com qualidade todos os papéis; como vem fazendo a tanto tempo e cada vez mais e mais...até quando? Só podemos exigir, cobrar e solicitar direitos, quando cumprimos com os nossos deveres! Ah! lição de casa já é o princípio de cidadania e desenvolvimento do caráter da criança. Se desde os primeiros meses escolares a criança vem sendo conscientizada, estimulada, apoiada, valorizada e principalmente responsabilizada à sua vida escolar, com certeza irá fortalecendo os valores , posturas e praticas humanas apenas positivas e necessárias para alicerçarem nossas vidas.Liçaõ de casa pode ser uma maneira prazeirosa de convivência familiar.Amar e antes de tudo EDUCAR(conscientizar,valorizar, respeitar, partilhar -amar). Parabenizo a Denise Resende pela sua consciência como mãe. Publicado por Nilda dos S. Oliveira em 23 de maio de 2006 Tenho 2 filhos,um de 11 e um de 7 anos. Eles não me dão trabalho em relação às tarefas escolares. Publicado por Roberta C.M.Costa em 30 de maio de 2006
Publicado por Eliana Penha C.Amorim em 23 de setembro de 2007 Bom, quanto ao assunto, sou mãe de um lindo menino de apenas 3 anos de idade, que estuda em uma escola muito puxada, todos os dias tem lição de casa para ser feita, às vezes acho meio puxado, mas concordo que tem que ser assim, pois é desde pequeno que se inicia, ele tem o tempo dele de fazer tarefas e a maioria das vezes (sempre), faz sozinho, sem pedir minha ajuda, pois ele é muito organizado, e também aprende muito rápido, a professora explica em sala de aula e quando ele vai fazer as tarefas em casa ele ainda lembra da explicação da professora e realiza sozinho as tarefas com apenas 3 anos de idade. Publicado por Ana Julia em 14 de agosto de 2008 Publique um comentário
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